É uma manhã fria de inverno e o ponto do ônibus está abarrotado de gente. Apesar da multidão, Marcelo não vê as pessoas. O seu corpo está ali, mas a sua mente vagueia sem rumo pelos campos minados dos conflitos com a esposa. Acha que não consegue resistir mais. Há tempo, crê que talvez a separação seja a única saída, mas o seu ser completo se estremece só em pensar na possibilidade de viver sem ela. Marcelo ama a sua esposa com todas as suas forças e é justamente esse sentimento que o deixa perplexo. Não entende por que, duas pessoas que se amam tanto, não conseguem viver em harmonia. O conflito de hoje, por exemplo, começou porque não havia leite para o desjejum. __Eu disse ontem à noite para você comprar o leite - reclamou ela, quase aos gritos. __E por que em lugar de me pedir, você mesma não comprou? – respondeu ele no mesmo tom. Tudo começou assim!... Depois falaram coisas terríveis um ao outro, lembraram erros do passado e, finalmente, ele saiu de casa batendo a porta, s...